
Quanto mais estudo os que tiveram sucesso e passaram em um concurso público, num esforço para aprender como ajudar mais pessoas a serem um deles, mais fico espantado pelo número daqueles que ainda não o são.
Entusiasmo, otimismo, criatividade, sinergia, iniciativa e perseverança.
Tudo isso está à venda, logo ali, na esquina, para quem quiser comprar.
Compre você também e use bem.
Hamurabi Messeder
Primeiro capítulo
Metáfora da auto escola

Lembro-me bem de quando ainda era jovem, impetuoso, irresponsável e cheio de acnes.
Consegui adquirir meu primeiro automóvel com a ajuda de meu pai.
Era uma Fiat 147. Como era meu primeiro carro, aquela Fiat era o máximo para mim, só que havia um pequeno problema que eu não tinha percebido até então: eu não sabia dirigir.
De forma muito paciente, embora tenha sido deveras imprudente ao fazer isso, meu querido pai me mostrou alguns dos princípios básicos da direção.
Em poucos dias, ainda que sem habilitação, eu já conseguia dirigir sozinho (crianças não façam isso em casa!).
Sempre fui muito prudente e cauteloso. Nunca, até hoje, produzi um acidente ao volante, não obstante, nos meus anos iniciais como motorista, não possuir habilitação.
Um dia, em meio as minhas férias, resolvi fazer o teste de motorista e tirar minha carteira.
Passei na prova escrita e durante o teste prático, fui inabilitado sem nem ter chegado à metade da prova. Meu avaliador não me disse o porquê.
Fiquei muito frustrado e com raiva. Achei que ele havia sido muito pessoal e que queria me pressionar de alguma forma para conseguir um dinheirinho de mim.
Eu não ofereci nada àquele “mau caráter”, pensei eu, e fui embora.
Seis meses depois, fui novamente fazer o teste, dessa vez acompanhando uma vizinha que havia acabado de fazer autoescola mas que não dirigia nada, como diz o adágio popular “era trágico quando visto de perto e cômico ao se ver de longe”.
A jovem tinha medo de dar a partida no automóvel e não tinha segurança em nada que fazia ao volante.
- Pensei…Pobrezinha, não vai passar mesmo.
Fomos juntos ao teste de direção. Ela fez primeiro e passou com louvor

- Como é possível, só porque é mulher e é bonitinha!
Eu fiquei indignado e pensei.
- Como ela conseguiu?
- Ela não dirige nada, meu amigo! Ela é um perigo no trânsito!
Após isso, pensei… Paciência, afinal, se ela passou, eu também consigo.
- Adivinhe o que aconteceu comigo no meu teste prático?
- É, você acertou!
Eu fui reprovado novamente e vieram à tona todas aquelas dúvidas e indignações.
Acredite, eu fiz o exame no total por quatro vezes e fui inabilitado em todas.
Cansado de culpar os outros e o sistema, resolvi acolher o conselho de um amigo de farra daquela época e me matriculei em uma autoescola.
Já nas aulas iniciais, percebi que, apesar de me considerar um bom e prudente motorista, eu tinha uma série de vícios ao volante que me desqualificavam. Por exemplo:
1- Esquecer o pé na embreagem;
2- Deixar uma das mãos no cambio de marcha;
3- Cruzar os braços sobre o volante;
4- Olhar para trás ao fazer a famigerada baliza;

Esses são apenas alguns exemplos.
Entendi naquele momento por que eu nunca passava no exame. Após essa experiência, fiz o teste mais uma vez e finalmente consegui minha carteira de habilitação.
Mais tarde na minha vida, analisando os elevados índices de acidentes de trânsito no Brasil causados por pessoas recém habilitadas e refletindo sobre os acontecimentos do passado, cheguei a uma conclusão muito interessante.
Percebi que as autoescolas não ensinam ninguém a dirigir, por isso o elevado número de acidentes com pessoas recém habilitadas. As autoescolas ensinam seus alunos a fazerem provas e saber fazer prova de direção definitivamente é diferente de saber dirigir.
Essa dicotomia se apresenta em vários aspectos da vida. No caso deste livro, eu posso estabelecer um paralelo muito similar.
- Uma coisa é saber a matéria que será cobrada em um concurso público, outra coisa e saber fazer prova sobre aquela disciplina.
Estudando em casa através de livros, apostilas ou recursos interativos de mídia e internet, o aluno aprende a dominar o conteúdo. Dominando o conteúdo, com certeza ele será aprovado em concursos públicos, mas é pouco provável que seja classificado dentro do número de vagas.
No entanto, por que isso ocorre?
A resposta é bem simples. Quem escreve os livros e apostilas, quem grava CDs e DVDs, assim como quem criam os recursos para ajudar os alunos na internet são professores como eu, e nós professores, nunca, mas nunca mesmo ensinamos tudo que os candidatos precisam saber em um livro, apostila ou outro tipo de mídia. Se assim o fizermos, tornamo-nos obsoletos em sala de aula e convenhamos o que todos já sabem o fato que a maioria dos professores vive de seu trabalho de sala de aula. Nenhum deles vai fazer algo que permita que ele ou outro colega seja substituído. Isso seria como autodestruir-se. Não obstante conseguimos produzir livros e outros materiais de suporte de excelente qualidade e sem o qual o candidato a uma vaga em um cargo publico jamais teria sucesso também. Na verdade as formas de ensinar e aprender se complementam. O ensino presencial , os materiais de apoio como livros e apostilas e as mídias iterativas e internet. Todos se somam para o seu sucesso e nenhum deles no mundo de hoje pode ser dispensado.
Não obstante o candidato à vaga em um cargo público precisa saber que o “pulo do gato”, aquele macete que vale o dia todo de sacrifício para estar naquela aula, geralmente não é escrito nos livros e nem gravado em vídeos ou CDs. Ele tende a só ser apresentado em sala de aula.

Temos aí mais um forte motivo para fazermos cursos presenciais para concursos públicos. Eles funcionam como a autoescola, nos ensinam a fazer a prova e, sabendo fazer a prova, que é o que importa para nós, certamente seremos classificados nela.
Não adianta saber dirigir um carro como eu um dia soube se não percebemos os vícios que nos eliminam em uma prova de direção. Se não sabemos os macetes implícitos em cada disciplina, não corrigirmos os vícios e a falsas formas de interpretar o conteúdo de uma disciplina, estaremos fadados ao insucesso.

Certa feita, um de meus alunos me fez uma pergunta quando ministrava uma palestra sobre o mesmo tema abordado neste capítulo.
Disse ele:
-Se o melhor dos professores fica para sala de aula, por que, eles, assim como você Hamurabi, escrevem livros, apostilas e gravam DVDs, CDs de aula?
A resposta é simples meu jovem.
Por que os intérpretes o tempo todo estão lançando novos álbuns, apesar do massacre que a pirataria e os sites da internet os infringe, fazendo-os deixar de arrecadar milhões de reais em direitos autorais?
O Jovem não soube responder.
A resposta é obvia:
É porque eles ganham dinheiro mesmo com os shows que fazem. No show, fica reservado o melhor do artista.
O artista continua a produzir álbuns porque sabe que, apesar da pirataria, as pessoas vão assistir seu show mesmo assim. Se, ao comprar um Cd pirata, o indivíduo não fosse mais ao show, pois, afinal, já estivesse satisfeito, os interpretes deixariam de gravar em pouco tempo e deixariam de existir.
O mesmo ocorre com o mercado de aulas. Gravamos matérias complementares porque sabemos que o aluno consciente, mesmo as tendo, não deixa de vir ao curso presencial. A vivencia do dia-a-dia é como ir ao show.
Nela está reservada a melhor parte da preparação.
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