A força e a superação para chegar ao sucesso
Hamurabi Messeder
PROFESSOR DO CENTRO DE ESTUDOS, PESQUISA E ATUALIZAÇÃO EM DIREITO (CEPAD), COMPANHIA DOS MÓDULOS, ÊNFASE, ACP, CURSO CLAUDIO BORBA; ESCRITOR; CONSULTOR EDUCACIONAL; PEDAGOGO.
Quando adolescente, resolvi entrar para a Marinha.
Disseram-me que lá eu desenvolveria as qualidades que um homem precisa para ter sucesso na vida. Entrei procurando a disciplina e encontrei o autoritarismo, prometeram ensinarme o senso de respeito à hierarquia, mas tudo que vi eram arbitrariedades. Indignado, falava pelos cotovelos e, por isso, meu comandante, com toda razão, me disse um famoso adágio que eu conheci ali pela primeira vez: “O homem tem dois olhos, dois ouvidos e uma boca apenas. Somos feitos para ver e ouvir mais do que falar”.
Percebi, com o tempo, que o meu maior defeito dentro das forças armadas estava justamente em falar demais. Pouco depois, fui convidado a me retirar e tive que recomeçar a vida. Desenvolvi, naquele momento, a maturidade para aceitar as coisas que não era capaz ainda de mudar e transformei meus vícios em virtudes, meus defeitos em minhas qualidades, minhas limitações e fraquezas em minhas maiores habilidades.
Fui para faculdade determinado a converter aquilo que era meu maior espinho em uma flor. Em vez de me calar, já que falar me trazia problemas, estudei para entender assuntos que outras pessoas gostariam de conversar comigo e passei a dedicar a minha vida ao magistério em Direito. Em uma manhã de 3 de setembro de 2004, ocorreu o meu atropelamento. Com ele, vieram as sequelas e as deficiências físicas e neurológicas.
No início, os médicos não acreditavam que eu daria aulas tão cedo. Ledo engano; ficar em casa e desistir não era uma opção.
A visão ficou comprometida e as pernas também. Atividades relativamente simples como dar minhas aulas e escrever os meus livros ficaram muito mais difíceis, mas, acredite: vencer estas limitações com a ajuda de minha amada companheira e esposa e de minha filha foi fácil. Difícil foi lidar com o preconceito, pois muitos achavam que eu não conseguiria mais trabalhar.
Também foi difícil lidar com o tamanho descaso com que as pessoas portadoras de deficiência são tratadas, mas nada melhor do que o tempo, a maturidade e o conhecimento. Aprendi a abrir mão do ressentimento que sentia de todos que me tratavam mal, ou simplesmente não me enxergavam por ser deficiente físico.
Afinal, até me tornar um, eu também não os via. Muitos pedem a Papai do Céu que lhes dê força e, quando acordamos, não entendemos o porquê de todas as dificuldades. Se pedimos tranquilidade, sempre surge o tumulto; se queremos coragem, surgem várias situações que nos fazem ter medo; se pedimos dinheiro, surgem emoções em nosso íntimo e acabamos gastando o pouco que temos.
Então, se pedimos vitórias, histórias de sucesso e superação em nossas vidas surgem às lutas diárias para que possamos superá-las.
Por que nem todas as pessoas não conseguem vivenciar histórias de vitoria e sucesso? Por que não conseguem se superar? A resposta é bem mais simples do que se imagina.
Não é porque lhes falta fé, força, posses, exemplos ou exercícios! Não é falta de coragem de tentar coisas novas. O grande problema que cerceia as pessoas de viverem suas próprias histórias de sucesso e superação está no fato de que muitas delas fazem, na maior parte do tempo, coisas que não atendem aos próprios propósitos, desviando, assim, sua atenção e foco daquilo que realmente querem da vida.
Ou talvez não! Quem disse que sua vida que vivemos não é repleta e histórias de sucesso e superação? Você só não conseguiu enxergar isso ainda.
O fim de uma história de superação não é a melhor parte, mas sim como a construímos.
Domingo, 25 de Abril de 2010
